quinta-feira, 24 de agosto de 2017

O CICLO DA FERIDA

O capitulo 30 de Provérbios começa falando das gerações de Agur. São mencionadas quatro gerações: Jaque, Agur, ltiel e Ucal.


OS ESTÁGIOS DA FERIDA
As feridas da alma são o habitat de demônios. Assim como Deus habita nos louvores, espíritos malignos habitam nas feridas.
As fortalezas espirituais da mente.
Elas servem de fortificações nas quais os demônios se abrigam e por intermédio delas nos atacam, aprisionando-nos com sentimentos, pensamentos e hábitos contrários à vontade de Deus.

Os quatro estágios concernentes à formação de feridas:

1.° Estágio: "Ha uma geração que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe" (Pv 30:11).

Esse e o processo de abertura da ferida. O jugo das rejeições familiares e as decepções com os modelos de autoridade mais significativos da vida.
Rejeiçāo se corresponde com rebelião, e ai abre-se uma ferida. Podemos equacionar da seguinte forma:
Rejeição-Perdão = Rebelião e, portanto, Rejeiçāo + Rebelião = Feridas.

2.° Estágio: "Hã uma geração que é pura aos seus olhos, e contudo nunca foi lavada da sua imundícia" (Pv 10.'12).
Esse é O processo de espiritualização da ferida. A sutil e sinistra capacidade de disfarçar a verdade intima em busca de reconhecimento. A dor do orgulho ferido implícita. .
A religiosidade, invariavelmente, não passa de uma maquiagem para encobrir áreas específicas de derrota. Isso só dificulta e retarda ainda mais o processo de cura.

3.° Estágio: "Ha uma geração cujos olhos são altivos, e cujas pálpebras são levantadas para cima" (Pv 30:13).

Esse e o processo de compensação da ferida. O processo infeccioso. A dor do orgulho ferido explicita.
Uma postura arrogante e competitiva que tenta contrabalançar a insegurança interna.
Feridas emocionais podem ser uma poderosa fonte de inspiração e trabalho, porem o espírito ê errado.

4° Estágio: `´Há uma geração cujos dentes são como espadas; e cujos queixais são como facas, para devorarem da terra os aflitos, e os necessitados dentre os Homens" (Pv 30:14).

Esse e o processo de propagação da ferida. O processo contagioso, Um espírito critico e agressivo que escraviza a forma de reagir. Aqui o ciclo se fecha, podendo perpetuar-se. A amargura ê potencialmente contagiosa. Com a mesma arma que fomos feridos, passamos a ferir outros.

AS QUATRO GERAÇÕES
Tendo compreendido o ciclo da ferida, vamos agora descrever melhor cada uma dessas quatro gerações através de uma seqüência estratégica que define o processo da maldição que prende uma geração, ou que também pode se estender indefinidamente ao longo da linhagem familiar.

1a Geração: Falhas na Paternidade e Rebelião

"Há uma geração que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe" (Pv 30.'11).
A ira dos pais abastecendo a rebelião dos filhos. lsso pode se tornar um ciclo interminável. Esse e o processo de abertura da ferida. Um convite a rebelião.

Esta primeira geração ê denunciada através da epidemia de famílias desintegradas. O que levaria um filho a amaldiçoar os pais?
Falhas na paternidade, ê obvio. "Pais, não provoqueis a ira vossos filhos...`` (Cl 3: 21). Tudo começa com o legado dos pais criando uma brecha na forma de pensar entre pais e filhos.

A brecha das gerações ê que os pais não falam a linguagem dos filhos e os filhos não querem mais ouvir os pais. Eles começam a fazer o oposto do que os pais querem e dos princípios que eles têm. Abandono, rejeição, correção injusta, desrespeito, desprezo, etc. constroem um perfil que vê a autoridade como ameaça.

O autor desta confusão de linguagem entre pais e filhos ê Moloque. Toda criança rejeitada e abandonada e recolhida Moloque. “Essa entidade coloca uma cunha entre as gerações, separando pais dos filhos, tirando-os do lar e fazendo-os filhos da rua: moleques”.
O efeito colateral  da rejeição ou ausência paterna ê a carência.

A carência emocional e explicada pela sanguessuga:

``A sanguessuga tem duas filhas, a saber: Dá, Dá. Estas três coisas nunca se fartam; e quatro nunca dizem basta. (Pv 30:15).
A carência afetiva distorce a personalidade, produzindo déficit emocional, baixa estima, ausência de frutificação e insatisfação crônica (Pv 30:16). Ela destrói a visão da vida.

2a geração: cegueira espiritual e religiosidade
"Ha uma geração que e pura aos seus olhos, e, contudo nunca foi lavada da sua imundícia " (Pv 30: 12)

O que faria uma pessoa que vive na imundície se achar pura? O que lhe proporcionaria tamanha cegueira? A resposta ê o espírito de religiosidade. Uma experiência genuína com Jesus pode rapidamente se deteriorar e transformar-se em mera religiosidade se a nossa motivação permanecer fundamentada em carências e feridas não tratadas. Esse ê o primeiro estágio da apostasia.

Esse processo e a espiritualização da ferida. Existem três posições comuns que as pessoas tomam em relação as suas feridas:

A primeira seria reconhecê-las e aceitar o tratamento. Se isso não acontece, sobram duas alternativas. A pessoa torna-se um espinheiro, "estopim curto". Algumas nem estopim têm, são verdadeiras minas: e só encostar que explode. São aquelas pessoas francamente problemáticas que todos tendem a evitar porque são feridas e ferinas. Não da para se aproximar muito delas. E, por fim, a pessoa pode tornar-se lustrosa, polidamente religiosa. Essa ê a opção mais sinistra, que descreve com mais precisão esta segunda geração.

Temos, portanto, um ciclo vicioso: a religiosidade nos empurra para a imoralidade e esta sendo compensada por um comportamento religioso. Esse tipo de ciclo normalmente acaba em escândalo.

A tendência ê compensar um déficit de amor com um credito de concupiscência. A religiosidade baseada em tradições humanas tem o poder de cauterizar a consciência e anular os mandamentos do Eterno.

A hipersensibilidade em relação as feridas causadas por falhas de paternidade nos deixa insensíveis e cegos em relação ao nosso real diagnostico espiritual.

"Os olhos que zombam do pai, ou desprezam a obediência da mãe, corvos do ribeiro os arrancarão e os pintãos da águia os comerão" (Pv 30:7 7).

O efeito colateral da religiosidade ê a justiça própria. Justiça própria e o maior inimigo do temor de Deus, deixando-nos insensíveis aos nossos pecados, fazendo-nos achar que estamos certos. Não sejas demasiadamente justo, nem demasiadamente Sábio; por que te destruirias a ti mesmo? (Ec 7:16.)
Paradigmas errados que se baseiam na justiça própria têm o poder de destruir a nós e a nossos relacionamentos.

"O caminho da águia no céu; o caminho da cobra na penha; o caminho do navio no meio do mar; o caminho do homem com uma virgem" (Pv 30:79).

Este texto fala de coisas que não deixam rastros, o que define bem a justiça própria. E quando estamos cegos ou impotentes para mapear problemas e erros do passado e insensíveis em relação a pecados do presente. Essa revelação só vem quando buscamos ao Eterno com um Coração inteiro e humilde. Como o velho ditado diz: "O inconsciente esta na testa". Todo mundo vê, menos nos mesmos.

Temos uma geração muito grande que, apesar de estar dentro de igrejas, ainda esta cega em relação aos próprios pecados, e ainda assim, se achando a melhor. Mesmo na pratica de pecados como superioridade, critica, preconceito, intelectualismo, prepotência, etc., pessoas se acham uma bênção. Por baixo dessa casca de religiosidade existem muitas feridas que ainda não foram verdadeiramente remediadas.
Muitas pessoas vencidas pela religiosidade e imoralidade estão ministrando dentro das igrejas em pecado.

São púlpitos contaminados que estão debaixo da maldição desta segunda geração:

"Tal é o caminho da mulher adultera: ela come, e limpa a sua boca, e diz. ' Não cometi maldade" (Pv 30.'20).

3a geração: orgulho e competição
“Há uma geração cujos olhos são altivos, e cujas pálpebras são levantadas para cima” (Pv 30:13).

Esta geração está refletida na epidemia de igrejas divididas. Cada qual começa a pensar que é predileto, superior, dono do mover de Deus, senhor de toda a verdade, salvador do mundo, detentor de uma doutrina perfeita. Relacionamentos começam a ser potencialmente destruídos.

Grandes resultados muitas vezes despertam orgulho e superioridade nas pessoas imaturas.
Desencadeiam um processo de fragmentação. Aquela igreja já é a divisão da divisão de uma outra igreja que também se dividiu.

Superioridade é apenas o outro lado da inferioridade. Inferioridade e superioridade são os dois extremos da mesma vara. Essa é a lei da compensação. Soberba nada mais é que a Casca de uma ferida. Onde existem feridas normalmente vai se manifestar a auto-afirmação e a soberba. Do orgulho vêm muitas decepções. ciladas, quedas e escândalos. Essa é uma lei que não será quebrada:

``A soberba precede a destruição, e a altivez do espírito precede a queda “(Pv 16:18).

O efeito colateral da competição é divisão: Outras denominações são vistas como concorrentes. O Reino de Deus é fragmentado. Não há descanso. Além de muitos relacionamentos quebrados, entra o estresse os colapsos nervosos e muitos outros males emocionais.

Eclesiasticamente, isso traz uma terrível desorganização para o Corpo de Cristo. Posições passam a ser mais importantes que funções. O poder passa a ser mais importante que a autoridade. Personalidades carismáticas apagam a importância do caráter. E tudo isso vem do orgulho e a competição. Para isso, as pessoas certas são perseguidas e sacrificadas.
``Por três coisas se alvoroça a terra, e a quarta não a pode suportar: Pelo servo, quando reina,' e pelo tolo, coando anda farto de pão. Pela mulher aborrecida, quando se casa, e pela serva, quando fica herdeira da sua senhora` (Pv 30:21-22).

Esse é o processo da compensação da ferida. Quando sacrificamos a submissão, sacrificamos nossa herança. Quando, por orgulho, sacrificamos país e tutores, vamos para um lugar de necessidade e orfandade, sofrendo perdas profundas no campo da identidade.

Precisamos começar pela humilhação e reconciliação.

"Mas todas as coisas provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação" ( 1 Co 5:18).

Chega de recalcitrar contra os aguilhões! O diabo conquista uma cidade através da divisão da Igreja e da inimizade e frieza entre pastores. A primeira tarefa do principado demoníaco sobre uma cidade é dividir os pastores. Quando as feridas estão sendo compensadas ao invés de curadas, fica fácil para os demônios.

Por que a unidade é tão difícil? Porque ela exige humildade.

Quando há reconciliação e unidade, a revelação de Deus vem e as pessoas são salvas. Todas as igrejas crescem. O que a unidade tem a ver com evangelismo e salvação de almas? Simplesmente tudo. Isto foi o que Jesus expressou na sua oração sacerdotal: ``...para que eles sejam perfeitos em unidade, afim de que o mundo conheça que tu me enviaste   " (Jo 17: 23).

4a geração: maledicência e rejeição

"Ha uma geração cujos dentes são espadas, e cujos queixais são facas, para consumirem na terra os aflitos, e os necessitados entre os homens" (Pv 30.'14).

Esse é o processo da propagação da ferida. Maledicência vem do orgulho traumatizado. O orgulho cresce através das·feridas e se manifesta pela maledicência.. As pessoas se tornam duras, críticas e sem misericórdia. A pessoa ferida desiste do amor e passa a ferir com a mesma arma que foi ferida. Esse é um terreno fértil para a liberação de maldições e demônios. .

Na cultura judaica, palavras não são apenas palavras, são também mensageiros: ‛'Nem ainda no teu pensamento amaldiçoes o rei, nem tão pouco no mais interior da tua recamara amaldiçoes ao rico.' Porque as aves dos céus levariam a voz, e o que tem asas daria a noticia da palavra" (EC 10:20).
"Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem" (Hb 12:15).

Um quadro de amargura crônica invariavelmente produz maledicência. A maledicência é o sintoma da maldição, da ferida, da dor. Maledicência é o elo da maldição que prende as gerações. A morte anda de palavras. A maledicência é o veículo da morte e a ferramenta demoníaca que faz uma maldição perpetuar-se.

Pessoas críticas estão freqüentemente amaldiçoando pelas costas. A maior arma do diabo é, nada mais, nada menos, a boca do crente. A Bíblia nos adverte: Se obraste loucamente, elevando-te, e se imaginaste o mal, põe a mão na boca. Porque o espremer do leite produz manteiga, e o espremer do nariz produz sangue, e o espremer da ira produz contenda. (Pv 30:32-33.)


OS MENSGEIROS DE SATANÁS

Respectivamente com relação às quatro gerações mencionadas anteriormente, vamos descortinar a identidade e a tarefa de algumas entidades demoníacas.

1. Moloque: ‛‛Não ofereceras a Moloque nenhum dos teus filhos, fazendo-o passar pelo fogo; nem profanaras o nome de teu Deus. “Eu sou o Senhor” (Lv 18:21).

De alguma forma Moloque procura destruir o relacionamento entre país e filhos. Ele se alimenta do sangue dos filhos. Moloque, na Antiguidade, era um grande ídolo com o ventre cheio de brasas.
Um verdadeiro altar de sacrifícios humanos. Crianças eram lançadas pela sua garganta e queimadas vivas. Esse genocídio bárbaro continua sendo fisicamente praticado através do aborto. Deus evidencia sua repugnância ao relacionamento humano com essa entidade.
O fogo de Moloque, sua grande arma, é o abandono, o abuso e a rejeição. E o pai da orfandade. De alguma forma essa entidade tenta abortar o desenvolvimento emocional e espiritual das pessoas, privando-as de atingirem o propósito divino.

2. Espírito de religiosidade:... o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus'‛ (lI Co 4:4).

Paulo denomina essa entidade de deus deste século. Sua principal tarefa é falsificar o caráter de Deus e os valores do seu reino, privando as pessoas da verdade. Cegueira espiritual e incredulidade são seus principais ardis.

Para cada tipo de pessoa e de embasamento cultural existe uma estratégia religiosa de engano que cega e abusa da sua voluntariedade

Por exemplo. Uma pessoa que perdeu um ente querido é abordada por um espírito incorporado em alguém que se apresenta como a pessoa falecida, contando situações particulares que são evidências convincentes. Essa pessoa escorrega facilmente para o espiritismo, vítima da própria sinceridade e de uma manipulação emocional. ignora a farsa, e muitos ficam anos e até mesmo décadas servindo aos demônios pensando que estão servindo a Deus.

Definimos religião como qualquer tipo de formalidade humana espiritual que não proporciona intimidade com Deus. A conseqüência sempre é um falso padrão de santidade no qual se baseia o orgulho espiritual.

O que faz tantos pensarem que estão espiritualmente certos quando estão errados? O que fez um homem como Saulo perseguir tenazmente a igreja primitiva com tanto zelo e sinceridade? O que fez os fariseus, que eram o grupo religioso mais zeloso e equilibrado da época, planejarem a morte do Messias que eles mesmos esperavam por séculos? Essas são questões que demonstram o poder demoníaco da religiosidade.

3. Baal-Zebube: Assim diz o Senhor: Porventura não há Deus em Israel, para que mandes consultar a BaaI­Zebube, deus de Ecrom? Portanto, da cama a que subiste não desceras, mas certamente morreras" (II Rs 1: 6)

Baal-Zebube significa o senhor das moscas. Ele era adorado em Ecrom como o produtor das moscas, por isso capaz de "proteger" o povo contra a peste. Moscas se alimentam de sangue e de lixo.
A tarefa de Baal-Zebube é adoecer a alma e parasitar feridas e pecados relacionados a falta de perdão. Essa entidade se nutre da amargura e do ressentimento das pessoas, fazendo deles a plataforma de onde e as recebem inspiração. Disso emerge um comportamento ativista baseado em competição e inveja.

Muitos lideres espirituais têm sido vítimas desse esquema, vestindo a capa de ``Baal-Zebube, compensando falhas morais e feridas internas através de um padrão externo de santidade e ativismo ministerial.

4. Espírito de morte: "Porque não há fidelidade na boca deles; as suas entranhas são verdadeiras maldades e sua garganta é um sepulcro aberto" (Sl 5.: 9).
Essa entidade se aloja na boca de pessoas feridas. Sua arma é a maledicência e a crítica. As flechas incandescentes dessa entidade são atiradas da própria boca das pessoas.

Se você passar a sua língua no céu da boca percebera a forma de um arco. A língua simboliza a flecha; o veneno ê a amargura do coração.

Fonte : Pr. Marcos Borges (Coty)
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            Bíblia Sagrada.

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